Tortura Clássica
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Crises bailarinísticas @ quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O problema é que é difícil. Fico dividida entre pensar “calma, só tenho 3 anos completos de dança e fui adiantada para o 6º ano, é normal se sentir inferior” ou “não nasci pra dançar e estou gastando meu tempo/dinheiro em vão”. As crises bailarinísticas tem sido constantes. Entrei no Centro de Dança Rio faz 1 ano. Eu tinha 15 anos, 2 anos de dança e milhares de sonhos. Fui colocada no 5° ano simples e unicamente porque a professora achou que eu tinha capacidade pra isso. O ano voou, o espetáculo foi lindo, me senti linda e dancei super bem. Mas o 5º ano acabou. Eu fiz 16 anos, estou no 6° e começo a me sentir velha demais. Sei que é bobagem, mas as minhas colegas de classe tem 11, 12, 13 anos e são bem melhores que eu. Embora saiba que dançar não se trata de ter uma perna alta ou um pé lindo, quero ser boa, e sei que pra isso uma perna alta e pé lindo são essenciais. Daí surge a questão de que moro longe pra caramba e nem bolsa consegui. Logo, torno a pensar “sou um péssima dançarina, por isso não me deram bolsa” e então começa toda a ladainha em minha cabeça de que eu não deveria estar onde estou. De que não sou boa pra isso. De que ano  que vem começa o curso profissional e vou passar para o “Grupo B” porque sou ruim. E fico bipolar, pirada, louca, morta de medo do futuro que tanto quis. Minha primeira aula no 6° ano foi um fiasco. Ano que vem começa o Curso Profissional de Dança e talvez eu não esteja pronta pra isso. Chorei voltando pra casa na segunda feira, e outra vez me peguei pensando em desistir. Daí penso positivo: tenho 16 anos, pago minhas contas, resolvo todos os meus problemas sozinha e estou no 6º ano de dança sem que ninguém tenha me dado tapinhas nas costas pra tal. Cheguei onde cheguei graças ao meu esforço. A dança é minha vida. E lembro-me de um pequeno detalhe básico: faço ballet clássico no Centro de Dança Rio porque sempre sonhei em fazer parte de uma escola de dança excelente. E, pensando positivo outra vez: seguirei em frente. Porque embora eu não seja – nem de longe – a melhor, sei que evoluí. Sinto isso em minha alma, em meu ser. A questão é se meu melhor é suficiente. É se meu melhor vai me levar à algum lugar. Mas aí já é outra história! Embora não pareça, confio em mim mesma. Se não confiasse nem estaria aqui. Agora, minha filha, se não der não deu e ponto final. Ninguém nunca vai poder dizer que eu não tentei.