Tortura Clássica
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Desisto? @ domingo, 12 de junho de 2011

Tanta coisa tem acontecido que eu até esqueci que tinha um blog. Primeiro eu caí da escada e tive que ficar duas semanas sem pensar em dança. Depois eu percebi que não senti a menor falta do ballet nos dias em que pude fazer o que queria sem ter que me preocupar com horário. Depois eu desanimei.
E, bem, ainda tô desanimada.
É que cansa demais. Essa coisa de sair de casa, pegar onibus, trem, andar, dançar, voltar, dormir e fazer tudo no dia seguinte, cansa. Perdi as contas das bolhas nos pés e de todas as vezes em que fui pra aula enquanto queria estar dormindo. Eu to cansada, professora, por favor não repare no meu pé. E se eu vou desistir? Não sei. Acho que eu preciso de férias. E de grana. E de mim. Eu preciso resgatar aquele meu amor incondicional. Aquela coisinha que se mexia dentro de mim e me fazia dançar onde quer que eu estivesse. Aquela vontade de ter espelhos e barras em casa. Aquela vontade de sentir a dor que é ter uma sapatilha de ponta  no pé por 2h seguidas. É. Eu gostava dessa dor. Eu gostava do suor escorrendo nas costas, da bolhinha que aparecia no dedão, do sacolejar no trem, do cansaço no dia seguinte. Agora, nem sei mais. É tão longe, tão dificil, poxa vida. Professora eu juro que esse é o meu melhor. Eu sei que eu não posso cansar. Eu sei que eu preciso ser forte. E eu sei que eu só vou pra uma escola de dança todos os dias porque eu quero. Até porque sou eu quem pago, eu quem assina, e eu quem dança. Mas... não sei. Cansa tanto. Esses dias eu pensei em parar. É, parar. E dai, meu querido leitor, passou a seguinte frase na minha cabeça: você vai desistir depois de tudo? Todo o esforço? Toda a grana? Todo o tempo perdido? E agora eu nem sei mais o que fazer. Não é desistir... É parar. É perceber que talvez essa coisa toda não seja pra mim. É perceber que talvez o meu destino seja ser escritora, fotografa, publicitaria ou sei-la-o-que. Qualquer coisa. Não sou obrigada a ser bailarina. Não sou obrigada a fazer parte do Centro de Dança Rio. Se eu faço o que faço e vou pra onde vou, é unicamente porque eu quero... Mas e se você deixar de querer, Raíla? Eu saio. Mas você não ama dançar, Raila? Amo, amo sim, e amo muito. Mas não é suficiente. E agora eu vou sentar comigo mesma e decidir o que fazer. Não tomarei decisões precipitadas. E quando me decidir... vocês saberão.

Beijos aos novos seguidores (e aos antigos também).
Desculpem a demora com as postagens.
Obrigada pela visita.
Adoro todos vocês.