Tortura Clássica
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Prosseguindo @ segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu estava pronta pra desistir. Juro que eu havia pensado, pensado, pensado e finalmente chegado a conclusão de que essa coisa toda de ballet não era pra mim, que eu havia jogado dinheiro fora, e que eu iria sair de cabeça erguida sem sofrer por isso. Estava pronta pra ceder. Pronta pra me livrar do trio sapatilhas, collants e coques e sair de uma vez por todas dessa vida de bailarina-que-não-vive-e-quer-viver. Eu estava pronta. Daí tudo mudou.
Semana passada cheguei na escola super desanimada, e isso era tão aparente que quando a professora nos deu um tempo pra respirar e eu me sentei num canto da sala, uma menina virou pra mim e, na maior inocência, lançou a seguinte pergunta: “você não gosta de ballet?” E aquilo foi o suficiente pra eu me recompor e perceber a burrada que eu estava fazendo. Eu quis ser grossa, perguntar, questionar “como assim não gosto de ballet?! se eu não gostasse não estaria aqui, tão longe da minha casa, tão longe da minha vida, tão longe do meu mundo!”. Mas lembrei que a menina nada tinha a ver com minhas crises, então embora a vontade fosse pisar duro, respondi que estava apenas cansada mas iria passar logo logo. E voltei pra casa irada comigo mesma naquele dia. Eu simplesmente não conseguia entender como pude — depois de caminhar tanto e abrir mão de tudo — pensar que não queria mais. Não conseguia entender o porque daquilo. O porque do desanimo, do cansaço, da exaustão. Como seria dali pra frente? Quem eu seria sem o ballet? Como eu viveria? O que eu iria falar pras pessoas que me incentivaram, pros amigos que me acompanharam e até mesmo pra todo aquele povo que torceu pra me ver caindo e nunca conseguiu tal proeza? Tá certo que ballet não é obrigação e tá certo que ficar por ficar seria o mesmo que nada, mas embora até hoje eu não saiba de onde saiu essa ideia louca de que eu não queria mais, eu sei que no dia seguinte algo incrível aconteceu.
Chance. Esse algo se chama chance. E aconteceu, assim como tudo debaixo dos céus e da terra, com um propósito.
Eu estava saindo de uma aula de ponta quando encontrei um velho conhecido que tem me ajudado bastante no Centro de Dança Rio. Foi no caminho da estação de trem, e eu me lembro que estava receosa de falar pra ele minha decisão. Mas falei.
- Eu vou sair do ballet. Tô gastando muito dinheiro, muito tempo, não ta dando mais…
- Ham? Você não pode sair do ballet, não agora que você faz variação.
- Variação?! Só os bons fazem variação, fulano, e é caro demais pra mim.
- Pois pare de se colocar pra baixo, trate de estudar todos os ballets que você conhece e até os que você não conhece, porque você começa amanhã.
- COMO ASSIM EU FAÇO? Não acredito.
- Você faz. Toda quinta feira às 5h. Traga as pontas e boa sorte.
E pronto. E nem tive tempo de dizer não, e juro pra vocês que até esqueci essa ideia de sair do ballet e blábláblá. Acho que foi um sinal, sei lá, se não foi vai passar a ser. Eu entrei nessa e agora vou até o fim, afinal, amanhã é aula pública, quinta feira tem variação, daqui a pouco chega o espetáculo… E eu vou prosseguir… Cheguei até aqui e não vou desistir!
Obrigada a todos pela preocupação e expressão de opiniões na ultima postagem.
Beijos, Raíla Guimarães.