Tortura Clássica
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Goodbye? @ domingo, 8 de julho de 2012


Não tenho visto motivos para seguir com o blog. Não sei, não sinto mais votade de postar, não tenho tido o que compartilhar. Não sei o que farei, mas acho injusto apagar tudo, também. Aqui registrei minhas maiores emoções do tempo em que eu viajava horas e horas pra dançar. Não sei se postarei aqui novamente, talvez esse seja o capitulo final dessa história. Tudo pode ser. De qualquer forma, digo adeus. Quem sabe, um dia eu volte.

Aulas de ballet, vegetarianismo e recomeços. @ sexta-feira, 1 de junho de 2012


Hoje faz 1 mês que me matriculei em uma nova escola de dança. 1 mês que desisti do Centro de Dança Rio. 1 mês desde a primeira vez que senti: finalmente terei uma chance, serei vista, dançarei.
O bom de estar em uma escola pequena é justamente esse: se você quer, você pode. Já falei isso antes e não quero ser taxativa, mas torno a repetir: em escolas pequenas você tem muito mais atenção, e é cobrado muito mais. Daí vem o outro assunto dessa postagem: biotipo.
Porque assim como me sinto muito mais vista tecnicamente, sinto isso aparentemente. Ou seja, me sinto muito mais timida com relação ao meu físico. Quem me conhece vai rolar os olhos ao ler isso, mas a verdade é essa, quando penso no meu biotipo, penso em disconforto. E esse é o motivo de eu estar sempre de saia, segunda pele e afins na aula de ballet. Não, eu não sou gorda. Meu problema é ainda pior: eu tenho corpo. Coxas e busto maiores do que deveriam ser. Se eu fosse gorda, faria uma dieta e ponto. Mas peso 49kg e ainda assim pareço ter uns 55kg. E não é por falta de esforço, é impossivel mudar isso e ponto. Desde o dia 1º de janeiro me converti ao vegetarianismo (engraçado eu falar assim) e nãoi como nenhum tipo de carne desde então. Minha dieta se resume a muito legumes, verduras e laticínios. Substituí a carne por muito verde e coisas saudáves, leves. Não pelo meu corpo, fiz isso pelos animais, mas acho que não vem ao caso nessa postagem. O caso é que não bebo refrigerante, quase não como chocolate e não gosto de comer besteiras. Mas isso não nada. E o que entristece é ver meninas de 40kg comendo de tudo e continuando com esse peso! Mas deixa pra lá. Não estou aqui para palestrar sobre a minha insatisfação. Estou aqui pra dizer que ninguém precisa entrar em pânico ou parar de dançar por isso. Eu, por exemplo, adaptei uma faixa que me deixa sem busto algum. E passei a usar cintos para afinar a cintura enquanto durmo. O ponto é: faça o que está em seu alcance, mas não pire. Ano passado, quando eu me movia da baixada fluminense à zona norte todo dia, além da preocupação diária com o dinheiro, a saia ou o estilo do coque que eu usaria, uma voz sempre martelava em minha cabeça quando eu entrava na sala e me olhava no no espelho: você está absurdamente gorda. E eu passei pela fase das dietas malucas (quem nunca passou?), crises e choros por isso. E então, de repente, o ano acabou, fiz um belo espetáculo, me tornei vegetariana, mudei de escola e me sinto onde sempre deveria estar. As vezes ainda tenho a sensação de que desisti do meu grande sonho, que era estar lá. Mas aí me lembro de que o melhor para os outros nem sempre é o melhor pra mim. E que eu devo ME colocar em primeiro lugar. E que se eu tiver fé e continuar me esforçando, vai dar tudo certo. E é o que eu estou fazendo: recomeçando. Não sei no que vai dar, mas to seguindo. Afinal, não tenho nada a perder. E ainda tenho meus sonhos em cima da mesa de cabeceira: dançar. Dançar simplesmente porque isso é o que me faz bem.

Beijos,
Raíla Guimarães.

Mudando @ segunda-feira, 7 de maio de 2012


Terça feira passada foi um dia marcante. Me sentei na janela do trem e observei a cidade ficar pra trás rumo ao Centro de Dança Rio pela ultima vez. Lembro-me de apoiar a cabeça naquele vão da janela e fechar os olhos tranquilizando-me, memorizando que daria tudo certo, que era o melhor a se fazer.
Quando cheguei, olhei todos os lindos quadros que decoram a entrada pela ultima vez. Subi as escadas degrau por degrau (lembrando-me das vezes em que pulei) e fui direto para o vestiário. A despedida de minhas companheiras de dança foi um dos momentos de minha vida que nunca esquecerei. Sem querer ser melancólica: estou quase chorando agora, enquanto escrevo isso.
À caminho da diretoria, encontrei um velho amigo chegando (um amigo que começou a dançar na mesma escola que eu) e expliquei-lhe que estava cancelando minha matricula. Foi triste.
Cancelei minha matricula com um leve aperto no peito de quem não sabe o que fará em seguida. Desci as escadas deslizando as mãos no corrimão cor cinza-desbotado. Todos os meus sonhos estavam ali, eu sempre sonhara em fazer aula em um lugar como aquele e agora estava deixando tudo para trás. Respirei fundo algumas vezes enquanto passava no portão e fechei os olhos por um momento: nunca me esquecerei a primeira ou a ultima aula. Os ensaios aos sábados, as aulas de Dança Livre, os conselhos da professora.
Mas calmem: não fiquei parada. Joguei a preguiça pro alto antes de ser consumida e já fiz minha matricula em uma nova escola. Quarta feira passada fiz minha primeira aula e voltei feliz pra casa. Aliás, tenho me perguntado porque não fiz isso antes... Agora posso ter a honra de dizer que já fiz parte de uma das melhores escolas do Rio, mas me pergunto se era realmente necessário. Óbvio: o CDR me deu toda uma visão privilegiada da dança, convivi com profissonais, 50% das meninas da minha turma serão grande bailarinas e uma delas chegou à fase final do Pris de Lausanne. A questão é que eu não participei de nada disso - ou seja, ganhei experiencia vendo pessoas dançar, e não dançando por mim mesma. Mas estou feliz, creio que tudo isso terá uma imensa serventia no futuro.
O lado bom de tudo e minha maior alegria no momento é saber que finalmente terei uma chance. No Studio de Dança Varejão, minha nova escola de dança, sinto que terei chance de dançar como sempre quis. O defeito de escolas grandes no geral (e tem em todas ela, não no CDR em especial) é que uma classe é privilegiada em participar de festivais, aulas especiais, cursos avançados.. E outra classe faz apenas aulas com todo o resto. Não quero reclamar, desdenhar ou o que for, mas é a mais pura realidade, meu povo. Em escolas grandes não importa o quanto você queira: se você não tem o corpo/capacidade física você simplesmente não tem chance de fazer o que ama. Não diretamente. Já no SDV, contanto que você queira, você pode. E se você pode, meu bem, não há quem diga que não vai dar.
Mas não estou postando para falar da desvalorização de sonhos em grandes escolas. Estou aqui para dizer que estou feliz e espero que finalmente tenha encontrado o melhor lugar pra mim. Só isso.
Boa sorte à todos mas preciso me arrumar agora porque em breve começa minha aula de clássico.
Beijos, Raíla Guimarães.


Adeus @ segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ainda me lembro da primeira vez que entrei no Centro de Dança Rio. Era 27 de janeiro de 2011. A aula: alongamento e flexibilidade. A sala era imensa – 5 ou 6 vezes maior que aquela da minha antiga escola. Meu teste foi na Sala 6. Lembro-me de ficar boquiaberta e perguntar a um colega de classe "como fazem as diagonais numa sala tão grande?" eu, em minha inocência, não imaginava que um ano depois (praticamente hoje) estaria achando aquela sala normal. E quente, muito quente.
Nenhum encantamento dura para sempre. E nada: é o que sinto. Como se meu esforço fosse absolutamente nada. Porque eu dei tudo de mim. E eu me matei para emagrecer, girar bem, saltar alto, esticar os pés, lutar contra minha genética, meu corpo robusto, meus pés de foice. Lutei porque sentia que aquilo era o certo, o melhor a se fazer já que eu errada uma escola grande. Afinal, eu não podia passar vergonha. Como alguém pode dizer "sou aluna no CDR mas minha perna não passa de 120º"? E como eu (que sempre fui complexada) podia lidar com o fato? No inicio eu pensei "relaxa, Raíla, com o tempo tudo melhora". Mas as coisas não melhoraram. Minha perna não subiu, meu pé não ficou mais bonito e não, eu não aprendi a girar 3 piruetas. E eu cansei, de certa forma. Eu percebi que estava exibindo de mim mais do que poderia dar. Não sou mais uma criança de 12 anos que ainda tem muito que aprender. Até estou, de certa forma, velha pro ballet. E ruim, o que é ainda pior. Daí a aceitação começou aos poucos: nunca serei bailarina. Professora infantil em escolas de 5ª talvez, mas não bailarina. Meu nome nunca aparecera nas pesquisas do Google com uma foto incrível da minha perna perfeitamente alongada em um grand battement. E não, eu não irei ser alguém no mundo da dança. "Então, já que eu aceitei meu carma e decidi que o ballet vai ser só um hobbie, algo que amo porém não o meu maior foco, porque gastar o que posso e o que não posso sabendo que não posso mudar quem eu sou?" Perguntei-me. E com muito esforço, maturidade e dor (assumo), decidi sair do CDR. Ir pra uma escola pequena onde eu não gaste tudo, não me mate, não tenha enxaquecas por causa de peso. Onde? Ainda não sei. Mas sei que fiz o máximo que pude.
Estou esgotada de viajar 6h de segunda a sexta. E pagar uma fortuna pra me contentar em ser mediana. E sentir dor, fome e cansaço pra emagrecer porque não agüento as piadinhas. Se aprendi? Claro. Aprendi a diferença entre saber o passo e dançar. Aprendi a diferença entre ser um dançarino e ser um bai-la-ri-no. Mas também aprendi a ter o senso de saber se sou ou não uma estrela. E não, eu não sou uma. E não é por falta de esforço. Então eu simplesmente vou sair e ponto. Se perdi meu tempo e me arrependerei dessa decisão é algo que só saberei daqui a uns bons anos. E esse é o momento em que – dentro do trem lotado, voltando pra casa – coloco os fones no ouvido e as lágrimas rolam, rolam, rolam e rolam sem parar. E a sensação de que fracassei não me deixa.

Pensando... @ segunda-feira, 19 de março de 2012

...em excluir o blog, em sair do ballet no próximo ano, em parar de me sacrificar por coisas/pessoas que nunca perceberão isso.

Crises bailarinísticas @ quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O problema é que é difícil. Fico dividida entre pensar “calma, só tenho 3 anos completos de dança e fui adiantada para o 6º ano, é normal se sentir inferior” ou “não nasci pra dançar e estou gastando meu tempo/dinheiro em vão”. As crises bailarinísticas tem sido constantes. Entrei no Centro de Dança Rio faz 1 ano. Eu tinha 15 anos, 2 anos de dança e milhares de sonhos. Fui colocada no 5° ano simples e unicamente porque a professora achou que eu tinha capacidade pra isso. O ano voou, o espetáculo foi lindo, me senti linda e dancei super bem. Mas o 5º ano acabou. Eu fiz 16 anos, estou no 6° e começo a me sentir velha demais. Sei que é bobagem, mas as minhas colegas de classe tem 11, 12, 13 anos e são bem melhores que eu. Embora saiba que dançar não se trata de ter uma perna alta ou um pé lindo, quero ser boa, e sei que pra isso uma perna alta e pé lindo são essenciais. Daí surge a questão de que moro longe pra caramba e nem bolsa consegui. Logo, torno a pensar “sou um péssima dançarina, por isso não me deram bolsa” e então começa toda a ladainha em minha cabeça de que eu não deveria estar onde estou. De que não sou boa pra isso. De que ano  que vem começa o curso profissional e vou passar para o “Grupo B” porque sou ruim. E fico bipolar, pirada, louca, morta de medo do futuro que tanto quis. Minha primeira aula no 6° ano foi um fiasco. Ano que vem começa o Curso Profissional de Dança e talvez eu não esteja pronta pra isso. Chorei voltando pra casa na segunda feira, e outra vez me peguei pensando em desistir. Daí penso positivo: tenho 16 anos, pago minhas contas, resolvo todos os meus problemas sozinha e estou no 6º ano de dança sem que ninguém tenha me dado tapinhas nas costas pra tal. Cheguei onde cheguei graças ao meu esforço. A dança é minha vida. E lembro-me de um pequeno detalhe básico: faço ballet clássico no Centro de Dança Rio porque sempre sonhei em fazer parte de uma escola de dança excelente. E, pensando positivo outra vez: seguirei em frente. Porque embora eu não seja – nem de longe – a melhor, sei que evoluí. Sinto isso em minha alma, em meu ser. A questão é se meu melhor é suficiente. É se meu melhor vai me levar à algum lugar. Mas aí já é outra história! Embora não pareça, confio em mim mesma. Se não confiasse nem estaria aqui. Agora, minha filha, se não der não deu e ponto final. Ninguém nunca vai poder dizer que eu não tentei.

Adeus, férias! @ sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ontem, dia 3 de fevereiro, fui ao Centro de Dança Rio tratar de renovar minha matrícula. Foi emociante ver o carnet novinho em folha em minhas mãos! E foi ótimo pegar outra vez os trens lotados - apesar dos sovacos em minha cara - na esperança de correr atrás do meu sonho. Depois de semanas parada, sair de minha casa para ir ao Centro de Dança Rio foi simplesmente motivante como na primeira vez. E outra vez me lembrei do quanto sou corajosa.
Enfim, não fiz aula mas re-vi as colegas de classe que não via a algum tempo e não vejo a hora de voltar as aulas, barras, espelhos e sapatilhas. Talvez daqui a uma semana. Ainda não sei.
Sobre minhas férias: viajei, tirei fotos (essa ao lado é uma delas), descansei MUITO e não fiquei parada! Me alonguei, treinei o quanto pude e até malhei um pouco. A grande novidade é que virei vegetariana (no dia 1° de janeiro) e só no mês passado perdi 2kg sem o menor esforço. Enfim, vou tirar as sapatilhas do molho e voltar a ativa. Preparem-se, pois a partir desse ano vou postar dicas de ballet e coisas bem mais legais que a minha rotina!

Beijos!
Raíla Guimarães



Retrospectiva @ sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tic-tac tic-tac. Nessa onda se passam os minutos, as horas, os dias. Os dias se tornam semanas, as semanas se multiplicam em meses... E os meses logo correm pra ano. Um ano se passou. 2 semestres. 12 meses. 365 dias... Desde a decisão. Desde o memento em que bati o pé e decidi: eu, como menina teimosa que sou, vou brincar com o destino e ir atrás do meu sonho. Vou fazer Ballet sim e vai ser lá no CDRio, a horas e horas da minha casa... Vou crescer. Vou ser alguém. Vou viver.
Se to bem? Sim. Se cresci? Mais ainda. Sobre ser alguém... não sei. É preciso saber sonhar tanto quanto é preciso saber viver. O negócio é que eu to seguindo o conselho do Caio, não sei se você sabe, algo tipo relaxe e curta. Aproveitei cada segundo. Dei o máximo de mim. Suguei todo o ensino que poderia sugar de minha mestra esse ano. Dancei, dancei muito, todos os dias. Me apresentei três vezes, sorri bastante, valeu a pena. To feliz, sabe? Eu sei que não sou a melhor... Mas é tão... incrível. Tudo é tão incrível. Olhar pra trás e ver tudo pela qual passei... Olhar pra frente e ter noção de tudo pela qual tenho capacidade de passar... E ter enfrentado e estar disposta a continuar enfrentando tudo sozinha é simplesmente maravilhoso. Sinto-me inteira. Sinto-me orgulhosa de mim e toda a minha coragem. Sinto-me, finalmente, alguém.
O tempo passou e continua passando. As férias chegaram e daqui em apenas 1 mês vão acabar. E eu vou viver. Vou entrar na academia, comer chocolate, sair pra fazer compras, viver um pouco minha vida. Por um mês, vou fazer as coisas que quis fazer durante esse ano e não me permiti pelo ballet... Vou curtir. Relaxar. E treinar um pouquinho, é claro.
A questão que eu quis deixar clara é a seguinte: eu estou achando o equilíbrio das coisas. Estou parando com a mania de levar tudo pro lado tragico... Sobre o que eu vou fazer nas férias? Sobre o que eu vou fazer ano que vem? Ah... Eu decidi ser feliz... Que tal?

Danço... @ quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Logo existo.

Realizada @ quinta-feira, 17 de novembro de 2011


Mágico. O espetáculo do Centro de Dança Rio foi mágico! E eu me lembro que quando cheguei ao teatro, me ajoelhei no chão da coxia e orei, orei agradecendo a Deus. E aí, passou o filme em minha cabeça.
Abri mão de absolutamente tudo pra ir pro CDRio. Minha primeira escola de dança, meus vários amigos bailarinos - que fazem falta ate hoje - meu dinheiro, meu tempo, meu conforto, minha segurança - porque corro um risco tremendo todo dia - e até do meu sono. Lembrei do dia em que tomei a decisão de ir pra lá: minha mãe torcendo o nariz, minha irmã cheia de desconfiança da minha coragem, meus amigos pensando que eu não iria conseguir. Lembrei do meu primeiro dia de aula: a professora, Flavia Burlini, consertando meu rond de jambe e dizendo que era pra ir ate atrás. Lembrei das vezes em que quase fui assaltada e mesmo assim, não desisti. Lembrei dos sábados em que faltava o trabalho para ir ao CDRio para ensaiar. Lembrei das tantas vezes que chorei: quando fui chamada de gorda por uma colega de classe, quando pensei que não seria capaz de "chegar lá", quando errei uma seqüência de prova, quando cogitei desistir para sempre, e tantos outros motivos tão bobos agora. Lembrei que minha primeira aula de ponta havia sido em 22 de fevereiro e eu deveria me orgulhar de já saber das duas piruetas, de conseguir ter algum equilíbrio, de ter capacidade de dançar na ponta. Lembrei do dia em que a professora me adiantou 1 ano, me passando para o 5PP e eu senti que ela verdadeiramente acreditava em mim. Lembrei de quando ela disse "Você merece estar aqui, isso é mérito seu. Levante esses ombros, olhe-se no espelho e sinta-se linda" e eu voltei chorando pra casa e prometi que nunca mais perderia a confiança em mim mesma. Lembrei do muito que ralei, chorei e deixei pra trás. Dos dias em que não comi, das abdominais frenéticas, da caminhada aqui e ali. Do muito que aprendi pra chegar onde estava. E eu consegui. EU CONSEGUI! 
Tudo ocorreu perfeitamente - eu respirei fundo, subi ao palco... E foi perfeito. Perfeito. Nada se compara àquela sensação e estou muito, muito realizada. Nada descreveria isso, sabe? Ainda falta muito, eu sei. Mas ali, naquele palco, pude ver. Pude ver com total nitidez que eu estou no caminho certo. E que agora (e talvez sempre) só depende de mim.


Beijos!

Baile de Formatura @ quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O espetáculo do Centro de Dança Rio está mais próximo que nunca! Será sábado (dia 12) e eu já estou ansiosa. Faltam 2 dias. O tema do ballet adulto - da qual faço parte - será "Baile de Formatura". E minha turma - oficialmente 5º Pré Preparatório, irá arrasar com uma coreografia on pointe!
Ando ausente, eu sei. Não tive tempo de postar antes porque, como podem imaginar, minha vida anda meio que absolutamente corrida. Mas to bem - e depois contarei novidades - Estão convidados para ir à matinée as 11h ou ao soirée as 18h30. Onde? Teatro Odylo Costa - UERJ - Rio de Janeiro.

Beijos e ate a próxima. 

Cansada @ quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O espetáculo do Centro de Dança Rio está chegando e graças a  isso, estamos ensaiando de segunda à sábado. Meus pezinhos gritam por socorro. Minha cabeça grita por descanso. Mas quando me sinto vencida pelo desânimo, cansaço, dor, lembro do sacrifício imenso que faço e me sinto bem. Lembro das noites longas que passei sem sono, desejando ter uma vida de bailarina-super-ocupada. Lembro que o Centro de Dança Rio é longe demais da minha casa pra eu simplesmente chegar lá e querer sentar no canto. Então já que gasto tempo e dinheiro, por que não darei meu melhor? Empurro de lado o suor e o desânimo. Lembro-me que em 2 anos farei parte do curso profissional de ballet. Lembro que em pouco tempo estarei em variações, espetáculos e se Deus quiser, serei alguém. Lembro que terei um nome, e investirei nele. E lembro que meu sonho é grande demais pra eu desanimar agora. Já cheguei muito longe. Já caminhei demais. Então que os pezinhos cansados aguentem os calos. Que a mente esgotada aguente as sequências. Que a sapatilha de ponta aguente o tranco. E que eu tenha força pra seguir meu destino. E continuar vivendo minha tortura clássica diária. Sem parar.



Ideias @ segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tive uma ideia momentânea e coloquei em coloquei em prática. Agora estudo à tarde.
O lado bom é que facilita minha vida porque posso dormir, comer e não preciso correr pra cama quando chego em casa. Então acordo às 10h, tomo um café, me arrumo, e vou estudar. Da escola, vou ao ballet. Direto. Sem pausa pra isso ou aquilo, pego o trem e vou. É bom porque chego cedo e num corro risco de perder pontos em pontualidade. E é bom também porque faço certa economia.
O lado "ruim" é que agora é horário novo, curso novo (Saí de publicidade porque à tarde só tem Informática) e gente nova. O povo que estudava comigo de manhã ficou pra trás. Juntamente com o curso estressante de Publicidade. Juntamente com minha agência estressante de Publicidade. Juntamente com as pessoas estressantes de Publicidade. E é isso aí. Acho que sou a unica pessoa no mundo com a capacidade de adaptação à lugares novos em segundos.
E o lado maravilhoso é que eu não fico nem um pouco cansada. Talvez porque eu durma mais, ou porque pego duas conduções a menos... Mas não fico. Tenho energia para as aulas, pro ballet, eu desde quando comecei a estudar à tarde parei de dormir no ónibus e no trem. Sem contar que agora entrei num projeto de ler um livro por semana (ou em 1 dia, já que eu leio muito rápido) e isso mantém meus olhos abertos.
O curioso é como fui capaz de abrir mão de tudo por causa do ballet. Primeiro do dinheiro - que é o fator chave pra quem dança. Depois do tempo - que é um fator chave pra mim que moro longe da academia. E depois da Publicidade - que talvez num era pra ser mesmo. Então agora posso me dedicar ao que amo sem cansaço. E sem preguiça. E isso era tudo que eu queria.


Na ultima postagem esqueci de dar as Boas Vindas aos novos Seguidores, então:  
Sejam Bem Vindos e voltem Sempre! 
Beijos à todos.
Raíla Guimarães.



Sacrifícios @ segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não é que eu esteja desanimada ou frustrada. Pelo contrário, ando muito bem no Centro de Dança Rio.
Ontem consegui realizar a proeza de fazer duas piruetas na ponta (quando todos pensaram que eu não ia conseguir) e graças a isso não vou fazer fundo no final. Pela primeira vez em anos (três pra ser exata) sinto que estou muito bem fazendo minha parte.
O grande problema não sou eu dessa vez. Nem a professora que é severa, os colegas de turma que não me poupam dos comentários maldosos ou o (muito) dinheiro gasto com mensalidades, figurino, taxa de participação e passagem. O grande problema é o tempo. Sim, o tempo, que eu julgava ser o de menos.
Cerca de 3h e meia  pra ir e voltar. Todos os dias, de segunda a sexta. E cansa. Muito. Sem querer fazer drama, isso simplesmente me deixa exausta. E o pior é que o cansaço não esta relacionado a aula, mas sim ao meu esgotamento físico proveniente das 3 conduções que eu pego. 1 ônibus + 2 trens só pra ir ao Centro de Dança Rio. E esse 'só' não é porque estou fazendo pouco caso. Esse 'só' é porque realmente cansa muito. Todos os dias em pé. Todos os dias dormindo no trem. E no ônibus. E na escola. Esgotada. E mentalmente torcendo pra não ser assaltada ou atingida por um míssil ou algo assim. Ontem cheguei em casa as 23h e é difícil porque eu tenho que me recompor pra tomar banho, arrumar as coisas e ir dormir pra estar de pé 6h da manhã no dia seguinte porque o tempo não para. Você pode pensar 'ah mas se você esta feliz isso não é nada', mas eu te digo que é sim e é difícil. Se não fosse pelo cobrador eu teria passado do ponto e dormido até o outro dia sentada no ônibus. Se não fosse pela grande misericórdia de Deus eu já teria desistido porque esse cansaço tem afetado meu desempenho na escola, não porque fico com preguiça e durmo, mas simplesmente porque não tenho energia para fazer nada. E já chego cansada nas aulas de ballet. E já entro no onibus querendo dormir. E ja chego na escola querendo ir embora. E já durmo pensando no que tenho que pagar. E essa coisa toda está me matando. Ta difícil. Mas pelo menos tô feliz. É algo, não?

Raila Guimarães

I'm fine! @ quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Olá pessoal! Aqui estou eu outra vez, depois de séculos (ou meses) sem postar. Vim pra dizer que estou viva e bem!
Ando meio ocupada, apressada, desesperada com o espetáculo de fim de ano! Dançarei na ponta pela primeira vez e estou com medo de que aconteça algum desastre. Por falar nisso, o espetáculo será no dia 17 de dezembro na UERJ, se quiserem ir o valor de entrada é 20R$. Minha turma está indo muuuito bem e a coreografia de fim de ano já está linda e quase pronta!
Sobre as aulas de variação, sigo na mesma, talvez um pouco mais consciente de que as coisas só vão melhorar com o tempo e não com um passe de mágica. Mas tenho ouvido elogios, e isso tem me animado bastante.
Ahhh, pro povo do Rio: alguém foi ou ouviu falar na linda apresentação da Cia. Brasileira de Ballet e do Ballet Kirov na Quinta da Boa Vista? Eu fui! E foi lindoooo! Espero que o povo clássico tenha ido e gostado também!
E é só. Talvez eu volte semana que vem para contar com detalhes umas coisas que têm acontecido. Ou não. Vamos ver se o balllet vai me dar tempo, né?!

Espero que estejam bem e tenham novidades também!
Beijos, Raíla G.

Volta às aulas @ terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mesmo estando sem muita inspiração pra postar - e sem muitas novidades também -, resolvi passar aqui pra noticiar a minha volta ao Centro de Dança Rio e minha ansiedade com o espetáculo de fim de ano.
Mas agora tô num dilema que vocês não tem noção: queria muito dançar já que é meu primeiro ano nessa escola, mas não sei se vai dar. Ultimamente tem faltado grana e eu não tô muito acostumava com isso. Ultimamente eu tô deixando de pagar coisas também importantes para pagar o CDRio. E tá difícil.
Não, não quero sair. Já passei dessa fase de cansei, não quero mais! e espero que ela não volte nunca. Então só me resta orar e torcer pra que as coisas se resolvam de uma forma ou de outra. Só espero que eu fique bem e tome a decisão certa, afinal, estou super empolgada e disposta a dar tudo de mim nas aulas depois dessas férias merecidas - que duraram apenas 2 semanas.
E é isso. Beijos e até a próxima postagem. Tudo de bom pra vocês, e espero que joguem a preguiça pro alto e estejam prontos para o resto da tortura clássica.

Raíla Guimarães

Férias @ quinta-feira, 21 de julho de 2011



Mal chegaram e já estão acabando. Depois da segunda prova do ano (que teve uma banca de peso e me fez tremer nas pontas), o Centro de Dança Rio me deu o tão merecido descanso. Descanso esse que acaba dia 1. Pois é, já sinto falta.
No mais, não tenho novidades. As aulas de variação seguem e estou tentando aprender Fada flor de trigo e até mesmo Giselle. Tentando, apenas. E é difícil, viu?
Enfim, só passei para deixar beijos, boa semana e bom descanso a todas as bailarinas, bailarinos, não-bailarinas e até mesmo não-bailarinos que gostam tanto de ler esse blog. Agradeço a vocês pela força, presença e comentários.
Tudo de bom, e que o segundo semestre venha com tudo!

Boas vindas aos novos seguidores.

Prosseguindo @ segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu estava pronta pra desistir. Juro que eu havia pensado, pensado, pensado e finalmente chegado a conclusão de que essa coisa toda de ballet não era pra mim, que eu havia jogado dinheiro fora, e que eu iria sair de cabeça erguida sem sofrer por isso. Estava pronta pra ceder. Pronta pra me livrar do trio sapatilhas, collants e coques e sair de uma vez por todas dessa vida de bailarina-que-não-vive-e-quer-viver. Eu estava pronta. Daí tudo mudou.
Semana passada cheguei na escola super desanimada, e isso era tão aparente que quando a professora nos deu um tempo pra respirar e eu me sentei num canto da sala, uma menina virou pra mim e, na maior inocência, lançou a seguinte pergunta: “você não gosta de ballet?” E aquilo foi o suficiente pra eu me recompor e perceber a burrada que eu estava fazendo. Eu quis ser grossa, perguntar, questionar “como assim não gosto de ballet?! se eu não gostasse não estaria aqui, tão longe da minha casa, tão longe da minha vida, tão longe do meu mundo!”. Mas lembrei que a menina nada tinha a ver com minhas crises, então embora a vontade fosse pisar duro, respondi que estava apenas cansada mas iria passar logo logo. E voltei pra casa irada comigo mesma naquele dia. Eu simplesmente não conseguia entender como pude — depois de caminhar tanto e abrir mão de tudo — pensar que não queria mais. Não conseguia entender o porque daquilo. O porque do desanimo, do cansaço, da exaustão. Como seria dali pra frente? Quem eu seria sem o ballet? Como eu viveria? O que eu iria falar pras pessoas que me incentivaram, pros amigos que me acompanharam e até mesmo pra todo aquele povo que torceu pra me ver caindo e nunca conseguiu tal proeza? Tá certo que ballet não é obrigação e tá certo que ficar por ficar seria o mesmo que nada, mas embora até hoje eu não saiba de onde saiu essa ideia louca de que eu não queria mais, eu sei que no dia seguinte algo incrível aconteceu.
Chance. Esse algo se chama chance. E aconteceu, assim como tudo debaixo dos céus e da terra, com um propósito.
Eu estava saindo de uma aula de ponta quando encontrei um velho conhecido que tem me ajudado bastante no Centro de Dança Rio. Foi no caminho da estação de trem, e eu me lembro que estava receosa de falar pra ele minha decisão. Mas falei.
- Eu vou sair do ballet. Tô gastando muito dinheiro, muito tempo, não ta dando mais…
- Ham? Você não pode sair do ballet, não agora que você faz variação.
- Variação?! Só os bons fazem variação, fulano, e é caro demais pra mim.
- Pois pare de se colocar pra baixo, trate de estudar todos os ballets que você conhece e até os que você não conhece, porque você começa amanhã.
- COMO ASSIM EU FAÇO? Não acredito.
- Você faz. Toda quinta feira às 5h. Traga as pontas e boa sorte.
E pronto. E nem tive tempo de dizer não, e juro pra vocês que até esqueci essa ideia de sair do ballet e blábláblá. Acho que foi um sinal, sei lá, se não foi vai passar a ser. Eu entrei nessa e agora vou até o fim, afinal, amanhã é aula pública, quinta feira tem variação, daqui a pouco chega o espetáculo… E eu vou prosseguir… Cheguei até aqui e não vou desistir!
Obrigada a todos pela preocupação e expressão de opiniões na ultima postagem.
Beijos, Raíla Guimarães.

Desisto? @ domingo, 12 de junho de 2011

Tanta coisa tem acontecido que eu até esqueci que tinha um blog. Primeiro eu caí da escada e tive que ficar duas semanas sem pensar em dança. Depois eu percebi que não senti a menor falta do ballet nos dias em que pude fazer o que queria sem ter que me preocupar com horário. Depois eu desanimei.
E, bem, ainda tô desanimada.
É que cansa demais. Essa coisa de sair de casa, pegar onibus, trem, andar, dançar, voltar, dormir e fazer tudo no dia seguinte, cansa. Perdi as contas das bolhas nos pés e de todas as vezes em que fui pra aula enquanto queria estar dormindo. Eu to cansada, professora, por favor não repare no meu pé. E se eu vou desistir? Não sei. Acho que eu preciso de férias. E de grana. E de mim. Eu preciso resgatar aquele meu amor incondicional. Aquela coisinha que se mexia dentro de mim e me fazia dançar onde quer que eu estivesse. Aquela vontade de ter espelhos e barras em casa. Aquela vontade de sentir a dor que é ter uma sapatilha de ponta  no pé por 2h seguidas. É. Eu gostava dessa dor. Eu gostava do suor escorrendo nas costas, da bolhinha que aparecia no dedão, do sacolejar no trem, do cansaço no dia seguinte. Agora, nem sei mais. É tão longe, tão dificil, poxa vida. Professora eu juro que esse é o meu melhor. Eu sei que eu não posso cansar. Eu sei que eu preciso ser forte. E eu sei que eu só vou pra uma escola de dança todos os dias porque eu quero. Até porque sou eu quem pago, eu quem assina, e eu quem dança. Mas... não sei. Cansa tanto. Esses dias eu pensei em parar. É, parar. E dai, meu querido leitor, passou a seguinte frase na minha cabeça: você vai desistir depois de tudo? Todo o esforço? Toda a grana? Todo o tempo perdido? E agora eu nem sei mais o que fazer. Não é desistir... É parar. É perceber que talvez essa coisa toda não seja pra mim. É perceber que talvez o meu destino seja ser escritora, fotografa, publicitaria ou sei-la-o-que. Qualquer coisa. Não sou obrigada a ser bailarina. Não sou obrigada a fazer parte do Centro de Dança Rio. Se eu faço o que faço e vou pra onde vou, é unicamente porque eu quero... Mas e se você deixar de querer, Raíla? Eu saio. Mas você não ama dançar, Raila? Amo, amo sim, e amo muito. Mas não é suficiente. E agora eu vou sentar comigo mesma e decidir o que fazer. Não tomarei decisões precipitadas. E quando me decidir... vocês saberão.

Beijos aos novos seguidores (e aos antigos também).
Desculpem a demora com as postagens.
Obrigada pela visita.
Adoro todos vocês.



Quebre as correntes @ sábado, 30 de abril de 2011

 E tudo mudou de uma forma incrivelmente rápida. Conceitos, preconceitos, opiniões e coisas que eu nunca pensei que mudariam. Da maneira mais maravilhosa possível, de uma hora pra outra, assim, num estalo de dedos, eu era outro alguém. E você pode pensar que ninguém muda de uma hora pra outra, assim como eu posso pensar que cada um acredita no que quer. Agora eu sou livre. Livre de coisas desnecessárias, pessoas desnecessárias e sentimentos desnecessários. Livre de mim e da minha cabecinha confusa. Agora eu decoro meus horários, organizo a mochila chego na hora. Sem toda aquela confusão de correr e se desesperar; depois que você se adapta a rotina, as coisas se assentam. Da mesma forma é com as pessoas - assim que você se adapta, elas param de encher o saco. Minha aula termina às 20:30h. Se o trêm atrasou, eu dou um jeito, afinal, pra tudo se tem um jeito. Pra que complicar, oras? A venda sumiu dos meus olhos. Eu quebrei as correntes. Sem toda aquela confusão de que estou triste porque minha coxa é grossa, estou triste porque os meus seios são grandes, estou triste porque fulano não gosta de mim; Dane-se fulano. Dane-se ciclano. Eu vou aprender a ser forte, juro que vou. O corpo a gente emagrece, a alma agente expande. Estou cumprindo tarefas, e não vou parar porque alguém se incomoda. Sempre vão se incomodar mesmo. Sempre. E dane-se esse e os zés ninguém que só querem atrapalhar! Tenho pressa de crescer e ser alguém. É pra já. É pra hoje, pra agora, não amanhã. Amanhã vai demorar demais, e eu quero tanto quanto você. Talvez até mais que você. Não tenho tempo para depois! Sou dura como pedra e molenga como massinha. Eu grudo na cara, na mente, na alma. Sou completa de mim e meus sonhos. Eu realizo tudo aquilo que planejo. Entendam-me como quiserem. Só estou dizendo que eu sou livre. E que vocês deveriam ser também.


Provas @ sábado, 16 de abril de 2011



Eu estava pra postar antes, mas não tive tempo de vir aqui. Então, indo logo ao assunto, ontem se encerrou a temida semana de provas no Centro de Danca Rio. Terça feira tivemos prova de meia-ponta, com uma bancada de peso; Já na quinta feira, prova de ponta. Quase morri de dor com as diagonais, mas no fundo, acho até que eu estou melhor nas pontas. Como dizia o Felipe, no Centro de Dança Rio, ou você acha o eixo, ou você acha o eixo. E é verdade. Estou achando o bendito do eixo, e ignorando as dores e conseqüências de usar ponta todos os dias, malhar, correr, ou fazer dieta. Agora é só esperar pelo resultado das provas, e torcer para as observações no boletim serem boas! Segunda feira é a festa surpresa *que na verdade não será surpresa, porque ela mesmo disse o dia e hora em que queria a festa* que faremos para a Professora Flávia, e talvez eu traga fotos. Tô feliz com as chances, oportunidades e amizades que estou desenvolvendo agora. Tanto no Centro de Dança Rio, quanto na minha escola (Colégio Flama - Unidade de Nova Iguaçu). Agradeço a Deus e ao meu temperamento que está melhorando. E é isso. Beijos e boas vindas aos novos seguidores.

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congratulations to me! @ sábado, 9 de abril de 2011

Digam 'oi' para a mais nova aluna do 5PP! Sim, isso mesmo. Depois de penar e penar entre aulas e mais Dancer-a15c53a6bae6804d2e207b0c8719b4d8_h_largeaulas, passei. E passei com tudo. Agora é hora de parar de preguiça e tratar de se alongar mais ainda, procurar o eixo (porque a professora não quer menos de duas piruetas) , e perder aqueles kg extras. Vou tratar de chegar mais cedo, me aquecer antes das aulas e valorizar o que eu tenho. Vou tratar de não relaxar, porque mesmo sabendo que evoluí horrooooores, (ainda) não sou a 1ª bailarina do Theatro Municipal. Vou continuar me esforçando, e melhorar cada vez mais... Ainda tenho aquela mania de me ofender a toa e me culpar pelos erros dos outros, ainda tenho a mania de me sentir inferior quando, muitas vezes, sou superior a muita gente, mas to mudando. Quando você começa a andar sozinha e depender apenas de si mesma, você cresce e aprende muito. Foi assim comigo, mas, incrivelmente, ainda sou eu. Ainda tenho meus sonhos guardados na mesa de cabeceira. Ainda tenho coxas e peito. Ainda tenho meu jeitinho palhaço e espontâneo. E o bom foi saber que, mesmo assim, passei de nível. O bom é saber que minha promessa está se cumprindo, e nesse ano de 2011, tudo está sendo 10 vezes melhor! Agora eu vou vestir as chuteiras... e bola pra frente! Ou melhor, vestir as sapatilhas... E grand jeté!


evoluindo. @ sexta-feira, 1 de abril de 2011

ando ausente, eu sei. mas tudo fugiu do controle e  confesso que ultimamente não tenho tempo, vontade ou coragem de aparecer aqui pra dar um oi. infelizmente, as pessoas também não parecem se preocupar muito. tanto aqui quanto em todo lugar.
a vida no mundo da dança tem me rendido dores de cabeça. semana passada, meu esforço não mudava meu desempenho, e depois do cansaço, veio o desânimo. é chato querer e não ter. é chato ter e não querer. mas deixa pra lá. não irei entrar numa crise existencial e reclamar da vida. vou reclamar de coisas básicas, tipo os meus pés. sim, eles doem demais. vou me render e comprar uma ponteira assim que eu tiver tempo. minhas horas livres, acreditem se quiser, são aquelas que eu passo lendo, dentro do trem, a caminho da escola de dança. só esse ano, já devorei 5 livros (O Código da Vinci, Anjos e Demonios, A cidade do Sol, A Hospedeira e Ponto de Impacto). Alivia o estresse e me distrai. aceito sugestões de livros. é bem melhor que ficar pensando nos kg que preciso perder urgentemente, na minha coxa que não cruza ou no meu dinheiro que insiste em evaporar. junto com os 'amigos', que eu tanto amava, e sumiram. o mundo tem dado tantas voltas, que eu fico tonta de vez em quando. é difícil não saber em quem confiar. quem eu achava ser meu amigo não é, e de quem eu não esperava nada estou recebendo muito... me anima saber que posso contar com alguém. me anima que percebam quando estou mal - que se preocupem com meu bem-estar. tô feliz e satisfeita, embora a vontade seja sair por aí dizendo minhas verdades. esse é só o começo.
e por falar em começo, lembram que eu estava em avaliação para ir para o 5PP? pois bem, até agora, ainda estou. esses dias a professora disse 'Raíla, quero duas piruetas' e eu fiquei tremendo igual louca. e além disso, faço aulas com eles segunda, terça e quinta. ela também disse que sabe que eu vou fazer uma prova decente, e por isso, vou passar. que Deus a ouça. eu só tenho medo de errar e não conseguir provar pra mim mesma que sou capaz. eu queria tanta coisa... eu queria viver da dança. eu queria viver na dança. eu queria saber expressar, sentir, dançar... as vezes eu sinto que esqueço de dançar e só estou fazendo os passos. mas eu mantenho o pensamento positivo. eu penso 'calma, menina, é só uma nuvenzinha que tá passando... amanhã vai chover, então o céu fica azul de novo, e depois, tem sol. talvez até um arco-íris. só pra você ver como o feio e o chato podem se transformar em algo muito lindo e interessante.' brigar pra que? chorar pra que? reclamar do que? bailarinas tem classe. eu coloco um sorrisão falso no rosto até até conseguir sorrir de verdade. tá tudo ótimo! eu tô feliz. e se pudesse voltar atrás, saibam que eu não mudaria absolutamente nada. nem os tombos, nem os micos, nem as 'desavenças entre bailarinas'. é vivendo que se aprende. e é preciso saber viver.



Pontas @ terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O dia ontem foi super especial, fui à casa da minha BFF, Gabriella Amaral, e nos divertimos muito! O pessoal de lá já quer me tirar de Nova Iguaçu e me adotar de vez… Mas minha felicidade não esta só aí não… Outra coisa muito boa aconteceu, e por isso, estou feliz feliz, alegre alegre. Ontem foi, oficialmente, a primeira aula de ponta da minha vida! Amei. Apesar da dor maçante, do cansaço, do suor, do esforço e da ansiedade, tô com a sensação de trabalho cumprido. E duas bolhinhas nos pés… Uma hora e meia de aula de ponta, não é pra qualquer um não, né? Eu via as garotas chorando e pedindo pra tirar a sapatilha dos pés, e vi algumas sentando no chão e desistindo… Mas não desisti. Nem relaxei. Sentia meus pés queimando, meu foco se perdendo, e continuava lá: paradinha. Só no balance. Ninguém acreditou que eu nunca havia feito aulas de ponta na vida, e eu fiquei super orgulhosa das horas de dor que passei sozinha, em casa, sem barra ou o que quer que fosse, tentando me equilibrar…
A professora disse que à partir de hoje, não farei mais aulas todas às quartas com o 5PP, e sim toda terça, já que é o dia de aula de ponta deles… Ouvi uma garota da turma comentando que a obrigação do 5PP esse ano é duas piruetas e arabesc an face. Na ponta. Pra matar qualquer um. Mas vou treinar, e me dedicar muito, independente de onde eu esteja. E agora, toda terça, aulas de ponta do 4PP e do 5PP… haja pés pra aguentar!

Novidades dançantes @ domingo, 13 de fevereiro de 2011

primeiro: desculpem pela minha ausência aqui.


bem, vou começar dizendo que não desisti. continuo indo ao Méier, sozinha, todos os dias, para fazer minha tão amadas aulas de ballet… e não tenho palavras para descrever a felicidade que sinto por ser uma aluna do Centro de dança Rio. tô evoluindo a cada dia graças ao nível da escola. acho que se continuar assim até o ano que vem, estarei  bem. 
não tive tempo de vir aqui contar, mas na minha primeira aula de ballet a professora veio conversar comigo e dizer que acha melhor eu ir pro 5ºPP (5º ano de ballet) e fiquei me perguntando como pode eu, que só fiz 2 anos de ballet, ter tal capacidade. ela conversou muito comigo e na quarta feira retrasada (02/02) e nessa ultima (09/02) eu fiz uma aula com o 5ºPP para ver se conseguia acompanhar. 
para minha surpresa... sim, consegui! a matéria era superpuxada - e mesmo tendo que copiar o tempo todo porque a aula é gravada e a professora não demostrou os exercicios - fui lá, mostrei o carão que não tenho, e... fiz!
a professora falou que vai ver se eu vou me dar bem nas aulas de ponta também, já que eu não cheguei a me formar na outra escola, e se eu me der bem, fico. além disso, por 1 mês, farei aula nessa turma mais avançada todas as quartas, além de fazer aula todo dia com o 4°PP e aulas extras nos dias de ponta. também vou entrar na turma de Variação Clássica (a qual pagarei 60R$ por mês, para ter apenar UMA aula na semana) e acho que tenho uma grande chance de me adiantar MAIS um ano! ah, como eu queria... mas não colocarei a carroça na frente dos bois, vou deixar rolar, e o que tiver de ser… será.          
      beijos e bom domingo à todos.

a garota que tem as respostas na ponta da língua. @ terça-feira, 25 de janeiro de 2011




Meu pai nunca fez aquele tipo chato de 'pai' comigo. ele diz que prefere ser meu amigo e conversar, ao me dar ordens. eu concordo plenamente, até porque, eu nunca lhe dei motivo para me dar ordens. acontece que dia 21 ele veio conversar comigo. e ele NUNCA conversa comigo, ele chegou com aquele papo de 'Preciso falar uma coisa muito seria contigo', e eu comecei a tentar lembrar do que eu tinha feito, pra me preparar para responder, afinal, eu sou a garota que tem as respostas na ponta da língua! mal sabia eu que o que ele iria me pedir (sim, foi um pedido) me tiraria as palavras.


- Diga, pai.
- Eu quero te pedir um favor... um favor, porque eu sou seu amigo.
- O que é?
- Eu quero pedir pra você sair daquela escola lá, que você ta.
- Que escola? - perguntei, já com os olhos arregalados.
- Aquela do Meier.
- HHAAAAAAN?
- Meu amigo é primeiro tenente de lá, e falou que eu sou maluco de te deixar ir pra lá sozinha, você só é uma menina, filha, lá ta muito perigoso, eu prefiro que você arrume uma escola por aqui por Nova Iguaçu, Niterói, sei lá, mas no Meier não.
- :O
- Eu pago quanto for, mas quero que você fique num lugar seguro, porque eu sei que você esta num lugar bom, fazendo o que gosta, mas eu não vou ter paz, vou ficar muito preocupado.
- :O
- não é possível que não tenha nenhuma escola melhor.
- Eu estou na melhor escola do rio de janeiro. A outra 'melhor' fica na Tijuca.
- Eu to pedindo. é melhor que dar ordens...
- :O
- Se eu pudesse, mandava meu motorista te levar e te buscar, mas não tem como ele fazer isso todo dia.
- :O
- Só pensa no que eu disse.

(...) Ok. cadê as respostas na ponta da língua quando eu mais preciso? fiquei lá, com cara de bosta, sem saber o que fazer. o problema todo é que eu sou contrariadora. se ele chegasse e falasse 'eu quero que você saia daquela escola e ponto final' eu iria falar não!. mas ele não fez isso, ele foi educado, ele pediu, e me matou com esse pedido. agora, não sei o que fazer... Corro atrás dos meus sonhos ou deixo eles de lado para preservar minha vida?

Que comece a tortura clássica! @ domingo, 23 de janeiro de 2011

Cheguei em casa e fiquei olhando pro teto iluminado por velas. faltou luz. moro em um bairro um tanto afastado do centro da minha cidade (nova iguaçu). Ao sair de casa, pego um ônibus que leva cerca de 50 minutos para chegar ao centro de nova iguaçu. corro e gasto mais 1h para entrar na estação, pegar um trem e descer em engenho de dentro, onde faço baldeação e pego outro trem para o méier. Caminho mais 20 minutinhos até minha escola. minha nova escola. centro de dança rio. não é uma escola de dança. é A escola de dança. Saí de casa às 2h da tarde e agora são 22h. preciso dormir-preciso dormir-preciso dormir-preciso dormir: é tudo que penso dentro do ônibus, voltando pra casa. faço um grande esforço para não pegar no sono e passar do ponto. penso em tudo que deixei pra trás. penso nas pessoas que eu tanto amava e tive que dar adeus pra correr atrás do meu sonho distante… meu sonho que mora a 2h30mim da minha casa. meu sonho que busco sozinha...
o dia foi proveitoso. saí de casa para um lugar longe e novo. 1ª lição de vida que aprendi com isso? fique atenta às pessoas estranhas. 2ª lição? ande sempre com um guarda-chuvas na bolsa. enfrentei chuva e cheguei encharcada e atrasada no meu primeiro dia de aula. se eu tô sentindo alguma coisa nesse momento? nada. não sinto o braço, não sinto a perna, não sinto o pescoço, não sinto os pés… motivo? aula de alongamento e flexibilidade. até minha cabeça tá doendo. a aula de jazz foi frustrante. tô cansada e pensativa demais pro meu gosto. fiz minha matricula hoje. não tô nem um pouco arrependida, mas tô pensando se não é dinheiro jogado fora. tô pensando se vale à pena enfrentar trânsito, cansaço, homem tarado e trem lotado, só pelo ballet. será que vale à pena, agora que eu sei que não vou chegar em nenhum lugar muito alto? é. eu vi isso hoje. eu vi gente que respira dança. eu vi gente super-hiper-alongada… e eu, que me achava um tanto alongada, me vejo apenas como alguém ‘um pouquinho flexível’ agora. só isso. eu vi gente sorrindo com a perna na cabeça, como se não estivesse fazendo nada demais, como se não doesse fazer aquilo. eu vi gente naturalmente magra e alta e linda… e eu vi gente com cara de bosta, me olhando como se eu não fosse nada. e eu vi que eu realmente não era nada... 
hoje, quando fui fazer a bendita matrícula, o Felipe – meu novo companheiro diário do mundo dançante – olhou pra mim parada lá, com a ficha na mão, e perguntou o que eu tava esperando pra assinar meu nome e dar um fim na espera. eu respondi: – sei lá. uma coisa é você querer muito uma coisa sabendo que nunca vai ter ela… outra coisa é você ter essa coisa na sua frente e ter que escolher se realmente quer ela, pro resto da sua vida… eu tava mesmo preparada praquilo? tava preparada pra andar sozinha? tava preparada pra não esquecer quem eu era no meio de tanta gente 10 vezes mais magra, bonita e alongada que eu? eu realmente tinha força pra não só ignorar, mas não deixar me abater pelas caras feias, os narizes impés e as más bocas? a resposta para todas as perguntas: não. não tava nem um pouco preparada… mas eu fiz minha matricula. fiz minha matricula impulsionada pela minha enorme vontade de crescer, minha enorme vontade de ter a mínima possibilidade de ser alguém no mundo da dança.
eu sei muito bem quem eu sou, sei muito bem o que sou capaz de ser, sei muito bem de onde vim, e sei muito bem até onde posso chegar… eu ainda lembro que eu moro em nova iguaçu, que eu não sou rica, que eu tô acima do peso ideal de uma bailarina, e que eu tenho coxas demais. eu sei muito bem que eu não faço parte daquele mundo clássico, rosa e fofo. eu sei muito bem o que tem por trás de todos aqueles collants, corpos magros e sorrisos lindos. eu sei que uma bailarina sofre. eu já passei por isso. eu estava com milhares de perguntas na minha cabeça… eu estava com milhares de dúvidas, e super despreparada… mas eu estava muito, muito feliz. eu fiz minha matrícula, cara. tem noção do que é isso? tá, eu sei que eu tenho muito mais sorte do que juízo, e que eu sou impulsiva demais… mas e daí? eu não tenho como voltar atrás, e se tivesse, não mudaria nada. eu moro à quase 3h do méier, eu vou e volto totalmente  sozinha, eu peso 51kg e não sou bonita, nem rica, nem super alongada…. mas eu gosto de dançar. é suficiente? é? me fala, please. mata a minha dúvida cruel. eu chego em casa cansada, dolorida, descabelada, mas eu me sinto tão quando eu danço…é suficiente? é? eu nunca serei magrela, nunca serei a 1ª bailarina do Theatro Municipal, mas eu queria tentar tirar algum proveito dessa paixão louca que eu tenho pelo ballet clássico… é suficiente? é. é sim. e daí que minhas coxas são grossas? e daí que meu cabelo é crespo e meu coque não é liso e perfeito? e daí que eu não sou 7-8 e não pego uma seqüencia só olhando? eu tô fazendo o que eu amo. bem ou mal, eu tô fazendo… e eu não vou me perder no meio disso… que comece a tortura clássica agora, porque eu vou dançar sobre toda dor!


17/01/2011 – o dia da grande decisão.